Sopro de vida

Eiffel Tower

«Quantas vezes mais recordarás uma certa tarde da tua infância, uma tarde que é, tão profundamente, uma parte do teu ser que nem podes conceber a vida sem ela? Talvez mais quatro ou cinco vezes. Talvez nem tanto. Quantas vezes mais contemplarás a lua cheia a erguer-se? Talvez vinte. E, no entanto, tudo parece ilimitado». In: «O céu que nos Protege», de Paul Bowles

Como Paul Bowles descreve no seu livro, tomamos a vida por ilimitada, como se tivéssemos todas as oportunidades do mundo, amanhã…depois de amanhã, na próxima semana, no próximo mês, no próximo ano…

O trágico atentado de ontem à noite em Paris fez-me mais uma vez questionar sobre o que é isto afinal a que chamamos vida…vida tão efémera, onde nada, mas mesmo nada pode ser dado como garantido, pois pode ser ceifada quando menos se espera, quando se come num restaurante, se bebe um copo com os amigos, se assiste a um espetáculo musical…a vida ganha contornos cada vez mais limitados…nunca se sabe o que pode vir a seguir… A nossa segurança nunca mais vai ser a mesma quando passeamos livremente pelas ruas da cidade, quando atravessamos pontes, ou mesmo quando estamos no lugar mais improvável, à hora errada, no local errado.

A vida é isto, é tudo e nada, escapa-se por entre os dedos…e contudo, temos de continuar a viver, ainda que o medo e a insegurança espreitem…pois a vida continua lá fora, e o andamento continua.

Penso que a lição que tiramos destes momentos trágicos é de pararmos para pensar no que andamos a fazer com as nossas vidas, sublinhando a necessidade de estarmos em paz com quem somos e com o que queremos fazer, de estarmos mais próximos dos nossos sonhos, das pessoas que amamos, das coisas que gostamos de fazer, de aproveitar cada momento precioso, desamarrar-nos das teias do drama e apreciarmos a enorme alegria de estarmos vivos, pois nós não passamos afinal de um sopro volátil. Sei que pode ser redutor para a grande maioria das pessoas, mas para mim são as pequenas coisas que me trazem a felicidade do dia-a-dia.

Para as vítimas e famílias do atentado terrorista de Paris, desta sexta-feira 13 fatídica vai a minha maior consternação, pois ninguém merece morrer por uma causa que não é sua, por um dano colateral que não tem responsabilidade direta. Paz às suas almas.

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