Diário de Anne Frank

«Quando escrevo sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta».

Anne Frank

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Ainda a propósito da evocação do dia da Memória das vítimas do Holocausto, assinalado no dia 27 de Janeiro, data em que as tropas soviéticas irromperam no campo de concentração de Auschwitz para libertar os judeus que lá se encontravam à espera da morte, gostaria de enaltecer o exemplo de coragem de uma menina, que embora não tenha sido salva, representou  a esperança e um lado mais ingénuo daqueles dias marcados pela guerra e pela barbárie, falo obviamente de Anne Frank.

Anne, nascida a 12 de junho de 1929, era uma jovem judia, oriunda de Frankfurt, que se refugiou com a sua família na Holanda para escapar às perseguições nazis, mais concretamente em Amesterdão, escondendo-se nuns anexos de um edifício comercial, juntamente com outras quatro pessoas, sendo protegidos por pessoas generosas e destemidas, como Miep Gies, Victor Kugler, Johannes Kleiman e Bep Voskuijl que garantiram a sobrevivência destes judeus durante cerca de dois anos, de 1942 a 1944.

Em agosto de 1944, a família acabara por ser denunciada aos nazis, sendo transportados para campos de concentração. Ironicamente, tanto Anne, como a sua irmã Margot Frank, acabariam por falecer, possivelmente pelas difíceis condições em que viviam, agravadas por um surto epidémico, em fevereiro de 1945, pouco tempo antes da rendição da Alemanha.diario-aberto

Mas o que fez com que esta rapariga se destacasse entre os milhões de judeus, e fizesse dela uma verdadeira referência de coragem? O ato de escrever, exorcizando os demónios que vivia, os medos que a circundavam constantemente e os perigos que a espreitavam a todo o momento. Assim, transformou a prenda que recebera aos 13 anos, o seu diário, que designa carinhosamente de “Kitty”, num registo  precioso, onde documentou num primeiro momento o seu dia a dia, os avanços das tropas alemãs, as restrições e humilhações a que os judeus estavam sujeitos, e depois já no anexo, num exercício quase diário de catarse, que lhe permitiu manter a sanidade mental, num ambiente verdadeiramente claustrofóbico e psicótico, pautado pelo medo de serem descobertos.

Através da leitura deste diário vemos uma menina a transformar-se em mulher, analisando as suas relações familiares, nomeadamente sobre a sua mãe, Edith Frank, com quem tinha uma relação tensa, típicas de uma adolescente e o amor que começa a nascer entre ela e Peter, um outro rapaz que vive no anexo.

Mas, a leitura do diário faz-nos também pensar numa menina que foi obrigada a crescer rápido demais com uma plena consciência do que se passava à sua volta:

«Quando estou deitada na minha cama, cama tão quente e confortável, enquanto as minhas queridas amigas sofrem lá fora, talvez expostas ao vento e à chuva, mortas até, sinto-me quase má. Tenho medo de pensar em todas as pessoas às quais tanta coisa me liga e ao lembrar-me de que estão entregues aos mais cruéis carrascos que a história dos homens já conheceu. E tudo isto só por serem judeus!»

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A escrita permite a Anne encontrar uma motivação acrescida para continuar a viver, sonhando vir a ser jornalista e a viver da escrita, questionando se terá mesmo talento para isso.

«Mas, agora sinto-me feliz por saber ao menos escrever. E se não tiver talento suficiente para escrever livros ou artigos de jornal, enfim sempre me restará escrever para meu próprio deleite.

Quero vir a ser alguém. Não me agrada a vida que a srª van Daan e todas essas mulheres que trabalham para, mais tarde, ninguém se lembrar delas. Além de um marido e de filhos, preciso de mais alguma coisa a que preciso de me dedicar! Quero continuar a viver depois da minha morte. E por isso estou tão grata a Deus que me deu a possibilidade de desenvolver o meu espírito e de poder escrever para exprimir o que em mim vive. Quando escrevo sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta». In:  Diário de Anne Frank, p.265.

Estas palavras de Anne Frank são verdadeiramente impressionantes, quase arrepiantes, pois não tendo tido a ocasião de realizar o seu sonho em vida, as suas palavras ainda ecoam, tornando-se verdadeiramente imortais. Tornou-se na escritora que apenas com um diário, onde se exprimiu com a genuinidade da sua idade, fez o mundo comover-se com a sua história de vida, sendo um dos livros mais lidos e extraordinários do séc. XX.

O Diário de Anne Frank

Aconselho pois este livro a todos quantos queiram conhecer mais sobre esta Anne Frank, bem como a visitar o local onde viveu, em Amesterdão e se deixem contaminar com a sua força e jovialidade.

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