O medo que me consome…

medo

Olhei nos olhos o medo e prometi-lhe que não havia de ser maior do que eu, que não poderia continuar a dominar-me e a querer vencer-me. Meti os pés ao caminho e enfrentei-o sem vacilar, sem dó nem piedade. Perguntei-lhe o que queria de mim, porque me perseguia há tantos anos, porque inquietava as minhas noites em branco e me fazia gritar de pânico quando me deixava levar pelos pesadelos que ele preenchia. Porque me fazia chorar nos momentos de angústia e me paralisava a ação, porque me calava a voz, sedenta de se erguer e de mostrar que era gente. Interroguei-o com requintes de policial experiente nestes assuntos culpando-o de todos os instantes em que meti a coragem no bolso com os olhos fitos no chão, repetindo os mesmos dias inertes sem sonhos, nem alegria. Ousei cuspir-lhe fogo bem no meio dos olhos e dizer-lhe que ele não podia continuar a representar o papel principal da minha vida, que assim não podia continuar, que as regras tinham mudado, que era eu agora quem ditava o rumo da minha vida, de quem entrava nela e de quem saía, e que ele não ousasse novamente limitar-me e impedir-me de sonhar, de construir uma nova realidade que me enchesse a alma e me devolvesse a paz perdida.

Passaram-se horas, talvez dias, nesse confronto de forças, em que eu media o meu poder e a supremacia do «eu» que agora renascia e se erguia.

Nesse dia, nessa hora, o medo encolheu os ombros, emudeceu, mais nada disse e recuou,  acabrunhado. Nada me disse, nada mais lhe respondi. Parecia tão mais pequeno agora, quase vulnerável, exposto e vencido, ali bem diante de mim. Ali o deixei especado, diria que quase amedrontado de si mesmo. Virei-lhe as costas e sorri, sabia que nunca mais o veria novamente, ou pelo menos não nas mesmas condições de desequilíbrio. Finalmente vencera o medo de ter medo!

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