O Mar

«-Pai, o que é o mar?
– O mar? Não há coração que aguente a beleza desta extensão azul, que respira aos nossos pés, como um bicho adormecido ou uma alma inquieta. Agora azul, agora calmo, agora convidando-nos a mergulhar, a receber os seus afagos, logo tenebroso, cinzento, verde-escuro, repelindo-nos com fúria, ameaçando-nos com ódio.
O mar.
Cheio de segredos e de seres inacreditáveis, de formas alucinadas ou grotescas, deslumbrantes ou assustadoras. Dono do sal e do peixe, dos tesouros afundados que que avaramente esconde. Tão maravilhoso que os olhos se perdem na sua vastidão até ao horizonte e dá-nos este desejo de partir, esta saudade ao contrário, do que ainda não vivemos. O mar chamando-nos. Tão azul e tão nosso, que todos nos sentimos com direitos adquiridos sobre o seu corpo tentador, desde que uns loucos se atreveram a tentar dominá-lo.
(…)
– Pai, mas o que é o mar?
– Olha para dentro de ti e terás a resposta: tanta água, tanto sal, tanto sonho, tanto mal e tanto bem. O mar é tão profundo e instável como o coração do homem.
– Pai, quero ser barco.»
In: O Livro do Bem-estar, Rosa Lobato de Faria

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