Boiar

O verbo para o dia de hoje é «boiar». Boiar no mar se o mar for calmo, boiar na piscina, boiar no rio ou na lagoa…deixar ir, deixar o tempo passar devagar, deixar-nos ir sem pressas.
«Na tarde, o mais serena possível , marco o meu encontro comigo, na água lustral, no limiar da paz. Ouço de onde em onde, um arrulhar de passarinhos e sei que fazem voos rasos para beber da água da piscina. Mas sinto, e como sinto, a leveza da brisa na folhagem de onde cai, a espaços uma pequena flor.
Boiar é quase um regresso ao útero materno e pressinto que vem daí este bem-estar, esta sensação de princípio do mundo, quando relaxo os músculos e me deixo ir, ao fundo mais fundo da alma onde não há pensamento nem vontade, apenas sensações múltiplas de prazer.
É então que começo a ouvir as moléculas da água a marulharem nos meus ouvidos, a dizerem segredos, a fazerem convites perversos, brincalhões (…)
Com um golpe de rins, nado um pouco, abro os olhos para uma realidade esquecida, e ressuscito para a tarde de sol e de pássaros (…).
In: Livro de Bem-estar, Rosa Lobato de Faria

Foto de Mad about dreams.
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