Propósito de Vida e Significado de Vida

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As reflexões que tenho aqui apresentado sobre o tema do Propósito de Vida têm sido inspiradas na leitura do livro da Joana Areias, «Tu Consegues!», tal como já tinha feito referência em posts anteriores.

Hoje gostava de abordar a importância de darmos um significado ou um sentido à nossa vida, independentemente das contrariedades e dificuldades que se nos apresentarem. Sem esse foco, essa orientação podemos perder facilmente a nossa concentração, a resiliência, desviando-nos do nosso propósito e do que nos faz ser únicos e autênticos. Para vivermos em pleno o nosso propósito é importante que desenvolvamos, como o defende a Joana Areias, uma personalidade autotélica, que nos permita ter «capacidade para encontrar e criar experiências de fluxo, mesmo nos ambientes mais estéreis e adversos». [1]

Como exemplo disso, temos a vida de Viktor Frankl, psiquiatra e neurologista austríaco, que escreveu o célebre livro «O Homem em busca de um sentido». Nesta obra autobiográfica Frankl relata a sua experiência enquanto prisioneiro num campo de concentração, demonstrando a importância de se ter um sentido de vida para se sobreviver num contexto de guerra. Neste sentido, quem conseguia ter um objetivo de vida definido possuía uma maior motivação para enfrentar as dificuldades, encontrando mais forças e inspiração para sobreviver do que aqueles prisioneiros que tinham perdido toda a energia anímica, o foco e a alegria de viver, sucumbindo à doença, aos trabalhos forçados e à humilhação da sua existência.

O conceito de personalidade autotélica revela-se assim como algo que temos de considerar se queremos viver em pleno o nosso propósito, pois prepara-nos para enfrentarmos melhor as adversidades, aumentando o nosso foco e a determinação em relação ao nosso objetivo de vida. Para isso é importante que estejas preparado (a), que escaves bem as tuas raízes e percebas bem o que queres e o que és.

Quanto mais desenvolveres esta personalidade que te poderá levar a conviver com situações difíceis ou a fazer algo que não aprecias, com um menor desconforto possível, mais amarás o teu propósito de vida, pois sabes que és capaz de superar todas as limitações que encontraste no caminho para chegar onde queres e desejas.

O truque que te posso dar é que faças algo que não gostes muito um pouco todos os dias e procures soluções alternativas para melhorar essa experiência e a tua capacidade de lidar com isso. O objetivo é que consigas minimizar as tuas queixas, a tua vitimização e a vibração de energias negativas, provando a ti mesmo (a), que independentemente de tudo, tu és CAPAZ!

[1] Joana Areias, Tu consegues!, Alfragide: Lua de Papel, 2016

Conceito de «Fluir» e Propósito de Vida

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Já aqui falei algumas vezes da importância de nos deixarmos levar pelo estado de fluxo, conceito desenvolvido por Mihaly Csikszentmihalyi, importante investigador na área da felicidade e da área criativa, mas hoje vou referir-me a ele como forma de melhor entendermos o nosso propósito de vida.

Estar em fluxo é algo que nos retira completamente da realidade, que altera e modifica o nosso estado de consciência e o preenche de uma dimensão imediatista caraterizada pela vivência do aqui e do agora. O foco recai todo na atividade desenvolvida, estando concentrados e absorvidos pela atividade que nos coloca em fluxo. Durante aqueles momentos, nada mais importa, nem a fome, nem o sono, nem o programa na televisão, é como se fôssemos tomados por um estado de completa imersão no que nos dá prazer e preenche.

Conhecer o que nos faz viver a experiência do fluxo é algo essencial sobretudo se andamos a tentar descobrir o nosso Propósito de vida. Se queres vir a ter um trabalho de sonho ou simplesmente perceber o que dá um real sentido à tua vida, basta olhares para dentro de ti e começares a pensar no que verdadeiramente te apaixona e te permite perder as horas e navegar no tempo.

Será nadar? Correr? Dançar em pontas? Construir sites? Escrever histórias tuas? Inventar? Cozinhar? Fazer bolos? Brincar com crianças? Passear cães? Tu saberás melhor do que ninguém o que te entusiasma, o que te permite sentir um sorriso nos lábios ao fazeres.

No caso da minha experiência pessoal, eu descobri, depois de começar a pensar bem no que me coloca em fluxo, que o que me apaixona é fazer investigação antropológica, escrever, desde uma crónica, a um artigo, a um post de um blogue, o que me motiva é criar algo novo, como um blogue, um site, um texto, ou uma atividade criativa, como os workshops de escrita ou ateliês para crianças que dinamizo, é fazer sessões de coaching, ou seja tudo o que me permitisse exercitar a criatividade, através da escrita e da imaginação, e o contacto com as pessoas, não só numa vertente académica, mas também como forma de as ouvir e orientar. Este casamento de gostos e de paixões são o cozinhado perfeito do que amamos fazer na vida.

Por isso, se andas à procura de ti próprio, se te maça o trabalho que fazes e gostavas de criar o teu próprio trabalho de sonho está na hora de começares a perceber o que é que não te importavas de fazer todos os dias com vontade e determinação, a tal ponto que até nem te importavas de pagar para poder fazer, e que esteja alinhado com a tua essência.

Porque não começas já a fazer uma lista de todas as atividades que te permitem fluir no tempo e o que elas te fazem sentir? Vamos a isso?