Confiança, Amor próprio e Intimidade

velhoscasalbeijo1

Para confiares nos outros tens primeiro que começar por confiar em ti próprio. Se não confiares em ti, como poderás confiar em terceiros? O mesmo se passa no amor, tudo passa primeiro pelo nosso amor-próprio, pois se não tivermos amor por nós, não poderemos nem amar nem permitir sermos amados. Seguindo a leitura do livro de Osho «Intimidade: Confiar em si próprio e no Outro» há uma citação que gostaria de destacar por nos revelar muito do que se passa nos relacionamentos atuais, em que há excesso de defesa e de receio da entrega e da vulnerabilidade:

 « Como poderá você amar uma pessoa que se condena a si própria? Essa pessoa não acreditará em si. Se ela não se ama como pode você amá-la? Suspeitará de que se trata de uma brincadeira, de um embuste, de uma rasteira. Suspeitará que você tenta enganá-la em nome do amor. Será muito cautelosa, vigilante, e essa suspeita envenenará o seu ser. Quando você ama uma pessoa que se detesta a si própria, está a tentar destruir o conceito que ela faz de si própria.»

Penso que nesta citação encontramos o paradigma de muitas das relações amorosas e dos seus problemas contemporâneos, pautados pelos desequilíbrios e pela desarmonia a longo prazo. Nenhuma energia amorosa resiste a este turbilhão de sentimentos, ao “desamor próprio” que vivemos, assistindo-se a relacionamentos cada vez mais autodestrutivos, efémeros e de fraca consistência. Amar o outro implica assim que eu me ame em primeiro lugar e não esperar que ele preencha o meu vazio emocional. O contrário pressupõe carência, egocentrismo, desespero, vitimização e descontrolo.

Para se tornar íntimo de alguém é preciso que confiemos em nós e no outro e que permitamos essa aproximação, sem medo, em total respeito e entrega incondicional. Intimidade é relacionarmo-nos com proximidade física e confiança, sem necessidade de fingimentos, de máscaras e de subterfúgios.

«Quando dois amantes são realmente francos um com o outro, quando não têm medo um do outro e não escondem nada um do outro …isso é intimidade. Quando eles podem dizer cada coisa e todas as coisas sem medo de que o outro fique ofendido ou magoado…» .

Mas se a intimidade é isto, será que cada um de nós está disponível para se deixar expor por completo, assumindo a sua própria vulnerabilidade? É por isso que, nem mesmo os amantes mais fervorosos costumam ser normalmente íntimos, porque a intimidade despe não apenas o corpo, mas a alma na sua essência, deixando «que o outro entre em si , o  veja como você próprio se vê; e deixar que o outro o veja a partir do seu interior.»

A intimidade é assim um bem raro e muito precioso,  sendo possível apenas entre pessoas que são corajosas e que não têm medo de se mostrarem e de se entregarem, sem recearem que o outro, com quem estão, possa explorar a seu favor esse capital de conhecimento tão profundo.

Citações da obra: «Intimidade: confiar em si próprio e no Outro», de Osho

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2 comentários em “Confiança, Amor próprio e Intimidade

  1. Gostei muito!
    Fiquei particularmente com: “…a intimidade despe não apenas o corpo, mas a alma na sua essência, deixando «que o outro entre em si , o veja como você próprio se vê; e deixar que o outro o veja a partir do seu interior.»”

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