Quando à nossa volta só vemos dificuldades…

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Todas nós já passámos por alturas na vida em que quando olhamos à volta só vemos contrariedades, dificuldades, problemas, coisas que não gostávamos de ver e nos sentimos miseráveis e tristes, não vendo forma de dar volta à questão e de mudar o rumo das coisas.
A notícia boa que te vou dar, é que independentemente do que estejas a passar, da fase negra que possas estar a viver, tudo passa na vida, as coisas mudam, as situações são ultrapassadas, os ciclos fecham-se. Por isso, muitas vezes, para não dizer sempre, somos nós as responsáveis pelas coisas que nos acontecem, ligamos o complicómetro, focamo-nos apenas no negativo, o que nos dá uma espécie de prazer mórbido, sentindo-nos vítimas do destino, como se fôssemos as únicas mulheres do mundo mal amadas, sozinhas, abandonadas por tudo e por todos, ignoradas e infelizes.

Há um tempo para tudo, para sofrer e deixar as emoções falarem mais alto e nos entregarmos ao sofrimento e há uma altura em que temos de dizer «Basta!» «Já chega!», porque afinal nós podemos ter um papel ativo no que queremos sentir. Contudo, essa decisão nem sempre é fácil, pois mudar os nossos comportamentos, as nossas atitudes e sobretudo as nossas crenças, que nos limitam e toldam bastante a ação, exige de nós um esforço acrescido. Por isso é importante ver além dos rótulos, do que acreditamos, desbravar caminhos, que muitas vezes têm teias densas e difíceis de desembaraçar. Convém ver as questões que nos angustiam de vários lados e perspetivas e entender como podemos perceber as nossas emoções e torna-las nossas amigas, em vez de sermos constantemente controladas por elas.

O primeiro passo que podes dar é movimentar-te. Seja através da dança, da caminhada, da corrida ou do riso, vais estar a oxigenar as células do teu corpo, vais trazer mais leveza para dentro de ti e o movimento traz-te maior energia e cria novas emoções, altera o estado em que te encontravas, e desvia-te dos pensamentos tóxicos e negativos. Nesse sentido, é importante alterar pequenas rotinas no teu dia a dia, experimentares coisas novas, que te façam sentir novas sensações, fazer novos trajetos, introduzir novos hábitos que despertem mais a tua criatividade e o teu foco. Se estás demasiado absorta nos teus pensamentos, procura fazer algo que te interrompa o seu fluxo, sobretudo se estás numa fase em que te sentes desmotivada e sem forças e facilmente és manipulada pelos teus”filmes” internos.
Encara os teus medos, nada pode ser tão grave que tu não possas enfrentar, olha as situações de frente e sente o medo a diminuir. Há sempre uma saída para tudo na vida, menos para a morte, por isso não te entregues ao medo, procura sentir-te mais segura ao lidares com o que te aflige.

Outra estratégia eficaz é procurar ver o que te incomoda de outro modo, olhar a situação que estás enfrentando de uma perspetiva exterior, retira-te do problema e explica-o a ti própria, como se não fosse teu. Surpreende-te, e percebe como a tua carga emocional pode diminuir. Novas palavras, ganham novos sentidos. Ao veres as coisas de fora, vês tudo com um outro filtro e uma intensidade diferente. Pelo menos experimenta e tenta…

Passo a passo conseguirás aos poucos ver-te livre do que te tira o sono e está a dar cabo de ti. Busca novas soluções, novas formas de ultrapassar o que estás a passar, procura fazer sempre algo de diferente, ousa experimentar, tem coragem e persiste. E sobretudo tenta falar com pessoas que já passaram por isso e conseguiram ultrapassar. Sentir-te-ás mais motivada e encorajada para continuar a tua caminhada, passinho a passinho, mas com confiança no teu andar.
E sobretudo, começa a sonhar de olhos abertos, a veres benefícios em tudo o que te rodeia, a ouvir o canto dos pássaros, a respirares de forma calma e pausada, a esvaziar a tua cabeça dos problemas. Torna a sonhar como as crianças sonham, dá uma pausa à tua mente. Foca-te em pequenas alegrias, pequenos nadas que ganham um enorme sentido na tua vida.  Deixa-te fluir com o tempo, e sobretudo sorri… pois os problemas não se fizeram para durar, mas para serem resolvidos.
Ana Machado