Fim de semana de mergulho interior

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Há muito tempo que aqui não escrevo, é verdade…o que é feito da minha disciplina? Com a chegada do verão decidi que era tempo de abrandar e o dever cedeu ao prazer, ao usufruto do momento, as palavras deixaram de brotar, porque ficaram encantadas com tudo o que se viveu, num tempo lento, muitas vezes calado, ao sabor do vento, enternecidas pelas paisagens que os olhos captaram.

Mas, este fim de semana fez-me romper esse mutismo, porque foi tão intenso que não posso deixar passar sem o partilhar convosco…

Estes últimos dias têm sido de grande mergulho interior na minha alma através do riso, da meditação, de rituais, de dança, da música, libertando-me das prisões do passado. Hoje nasci grávida de mim e sei que o céu é o limite para tanto amor que sinto a brotar e transbordar. Celebro a vida e deixo para trás tudo o que não me serve mais. Entrego-me a esta luz que me guia e deixo as amarras, os padrões e as crenças limitadoras no tempo fora de mim. Percebi que transporto comigo a luz da minha alma e sou responsável pela sua sabedoria. Cada dia, cada momento, eu posso, eu devo, eu consigo renová-la.

Três dias em que a energia esteve alta e à solta, sem comandos, nem disciplina, em que me permiti simplesmente ser, voar, dançar, saltar e rir, levando o meu corpo a nascer de novo. No workshop «Awakening», na Feira Alternativa de Lisboa, confiei no profissionalismo de Paulo Shiva, da Escola do Amor, e deixei-me levar por essa viagem interior, onde interagi com pessoas nunca vistas, com total à vontade, rodopiando ao som da música, como se ninguém estivesse a ver, isenta de julgamentos ou de pressões, soltando a minha criança interior, que vibrou com tanta vontade de sair cá para fora. O corpo liberto, parecia outro, com outra forma e outra postura e o renascimento seguiu-se logo após uma viagem à nossa vida uterina, onde foi possível reproduzir todo um novo começo, um crescimento e uma libertação de dogmas e de  pressões. O movimento do corpo fez-me regressar à infância, quando eu podia de facto cantar e dançar de forma alegre e descontraída, sem que ninguém pudesse reclamar disso ou colocar rótulos. Percebi que através da dança nós podemos perceber quem somos de verdade, sentir a nossa verdadeira essência e manifestá-la com todo o nosso ser…

Depois, seguiram-se olhares que se demoraram em outros olhos, mergulhando na alma dos que nos cercavam, desconhecidos que tinham tudo igual a nós, humanos que miravam outros humanos… como podia ser tudo diferente se nos detivéssemos mais tempo nos olhos uns dos outros procurando a nossa verdadeira natureza…?

No dia seguinte, a gargalhada invadiu o Fórum Lisboa, no Congresso «Rir é Saúde». Encontrei a minha tribo, aquela que acredita que rir e brincar não é apenas exclusividade da infância, aquela que não se julga, nem estranha, aquela que acolhe e incentiva, em que a loucura é sempre saudável e com um propósito maior. Foram horas de dores na barriga, não de aflição, mas de prazer, em que se seguiram várias sessões e workshops sempre inspirados e vibrantes, magnéticos e desafiantes. Não fôssemos nós quase todos líderes do riso e não teríamos aguentado tanto tempo naquela vibração. Aprendemos sempre muito com estes eventos, conhecemos pessoas novas, trocamos experiências, e percebemos que o riso é mesmo fundamental para curar as maleitas do corpo e da alma.

Tocamos em cada um que passa por nós e mais uma vez os olhares se fixam nos dos nossos companheiros de gargalhadas, a ponto que as emoções falam mais alto e os sorrisos dão lugar a olhos transbordantes, mas de água salgada… porque a emoção não pode ser entupida e tem de sair. É preciso libertar, limpar, cuidar! O riso que é uma libertação da alma, é apenas a porta de entrada para as várias dimensões do ser, queremos ir cada vez mais fundo, chegar à alma e … até chegamos meditamos, inspiramos, dançamos e até cantamos.

88326622774db9a185ab311294084dabPor fim, um dos momentos mais bonitos e inspiradores do fim de semana: O Ritual do Útero, que recebi da Helena Pereira. Trata-se de um ritual de limpeza e empoderamento feminino que resgata o sagrado na mulher, abençoando o seu útero como lugar de criação e de divino. Foi transmitido ao ocidente por Marcela Lobos, após a mesma o ter recebido pelas mulheres da Amazónia. É considerado o 13º rito do Munay-Ki.

É um ritual simples, com muitos cânticos e meditação, com pétalas de flores, com um altar consagrado  em que as mulheres são abençoadas e protegidas com rosas,  enaltecendo o seu  poder criativo e expressivo, libertando os medos, as dores localizadas nos nossos úteros, bem como os bloqueios e as opressões.

Foram momentos de grande comoção, em que foi possível  voltar ao útero da minha mãe pela segunda vez no espaço de dois dias e sentir a proteção, o amor, o cuidado com que ela me carregou durante a gestação.  É um ritual que nos cura e enaltece toda a nossa linhagem ancestral de todas as mulheres da família. É um momento de homenagem ao nosso passado e a celebração do nosso presente.

Tornei-me oficialmente womb keeper , uma guardião de úteros, podendo fazer a partir de agora este ritual e poder passá-lo às mulheres que o pretenderem. Mais um passo a dobrar, para a minha autocura e potenciar a minha missão de inspirar, motivar e encaminhar.

A felicidade não cabe em mim…sinto-me renascida…outra Ana nasceu este fim de semana… e é tão bom, quando sentimos o fim dos ciclos como aprendizagem e o começo de outros para crescermos ainda mais… o que ficou para trás é já passado…toca a viver! Costumo dizer que para a frente é que é caminho, por isso são estes momentos que nos fazem descolar e crescer…sempre…sempre!!!!

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