Diálogos da dor

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Há dores para todos os gostos e feitios, dores do corpo, dores físicas que se instalam e nos degradam o bem-estar e qualidade de vida, dores que não entendemos e chegam de mansinho, anunciando que estão ali a ganhar terreno. Dores de partes do nosso corpo que nunca sentimos antes e nos surpreendem pela forma como surgem. Mas tudo tem explicação, porque o nosso corpo sabe tudo o que acontece connosco, ele tem uma história que nos acompanha, onde acumulamos muita coisa na nossa vida, sofrimento, cansaço, desgaste, e um dia, quando mal esperamos, começamos a queixar-nos e o nosso físico começa a dar sinais.

Mas, se as dores físicas nos podem deitar abaixo, porque nos fazem sentir impotentes e completamente vulneráveis, sujeitas a um diagnóstico médico, a um processo de tratamento e de cura, há outras dores, que chegam matreiras e nos podem apanhar desprevenidas e são tão ou mais difíceis do que as físicas, falo-vos das dores da alma ou da mente.
Muitas vezes, negamos as emoções e preferimos entrar em estado de negação, mentindo a nós mesmas que está tudo bem, e que aguentamos, afinal nós somos fortes. E depois, vamos calando mais um dia, aturando um chefe que nos desconsidera, um colega prepotente, um casamento ou relacionamento desgastado pela ação do tempo, a família que não nos entende, o trabalho que já não conseguimos gerir, e entre as pressões do dia a dia, vamos empurrando com a barriga os dissabores e as frustrações, colocando uma venda diante dos olhos para não ver, deitando tudo o que não gostamos debaixo de um “tapete” imaginário, para não sentir, para ter forças para prosseguir. E no entanto, as nossas emoções vão-nos segredando coisas, vão deixando pistas que não queremos perceber.

Mas, na verdade nós não somos super mulheres E depois um lindo dia, sem perceberes desmaias, a tua tensão descontrola-se, o teu coração começa a acelerar, não consegues respirar e começas a ter crises de ansiedade e pânico, tudo porque não foste a tempo de gerir as tuas emoções e resolver o que te incomoda. Se queres um conselho, nunca, mas nunca mesmo te deixes arrastar ao limite, pois arriscas-te a ter um esgotamento, uma depressão e a ter de tomar a maldita medicação, que te vai fazer inchar e sentir-te atordoada pela vida. Tu tens escolha, portanto vê o que podes fazer antes de chegar a esse ponto de saturação e resolve, nem que seja dentro de ti,  o que precisas fazer para não chegares ao limite, não te deixares sugar pelos dias, pelo cansaço extremo e pelas coisas que não consegues ultrapassar. Se não, um belo dia chegas ao médico e a resposta é : «o seu corpo está deprimido e vou receitar-lhe uns antidepressivos para voltar ao seu normal».

Se este é o cenário em que te encontras e sentes que não tens solução, o meu conselho, porque já tive alturas em que me senti assim, é que comeces a abrandar as coisas na tua vida e a preencher os teus dias com algo que te acalme e te preencha, seja uma ida ao ginásio, fazer Yoga, Meditação, Reiki, contemplar uma paisagem, ou simplesmente ter alguém com quem possas falar e te ajude a ver as coisas sob uma perspetiva diferente, e se possível começa a introduzir na tua vida novos hábitos, novas experiências. Escrever também pode ser bastante terapêutico, arranja um diário e escreve tudo o que te incomoda, liberta!
Independentemente do problema que possas possuir na tua vida atualmente, a única coisa que te posso garantir é que o tempo ajuda muito, por isso deixa-o passar, aceita-o! Nem sempre os processos em que nos encontramos de gerir as nossas dores internas são instantâneos, nem simples, por vezes podem resolver-se em semanas, outras em meses, ou até anos. Não te deixes ir abaixo por isso. Aceita a tua dor, equilibra-te com o que tens à tua volta de bom, ainda que tendo momentos em que a sintas a apertar por dentro. Não a cales, sente-a, «dá de beber à dor», como diz o fado português, permite-te chorar, se te alivia, mas depois entrega-te a novas experiências e sensações e foca-te no que te faz bem. Não te esqueças nunca que a tristeza é um vício, não a alimentes em excesso. É esse diálogo entre a dor e o entusiasmo que te abre o caminho à tua frente. Por isso faz o teu percurso ao teu ritmo, sem pressas, demores o tempo que demorares, o que importa é que chegues onde pretendes. Como diz o escritor C. S. Lewis «Ser forte não é ser imune à dor, mas seguir adiante apesar de senti-la».

Muita luz e esperança no teu caminho.

Ana Machado

Em modo semente…

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A Primavera chegou e aí está com toda a sua pujança. É tempo de novas esperanças, de sair do casulo do inverno, de novos começos e novos desafios. É a estação de lançar as sementes à terra, de plantar o que iremos colher futuramente.
Se queremos que as nossas plantas cresçam viçosas e bonitas, há que investir primeiro no tratamento da terra, adubá-la para a tornar fértil, escolher as sementes que queremos plantar e só depois semear.

Tal como acontece na natureza, o mesmo sucede connosco e com os nossos sonhos. Há um tempo para nos interrogarmos sobre o que queremos alcançar na vida, e um momento em que estabelecemos objetivos para realizarmos os nossos sonhos. Mas, entre um momento e outro, há um compasso de tempo em que se cuida primorosamente do que se plantou. É nessa fase que devemos trabalhar constantemente a nossa motivação, o nosso empenho, a nossa dedicação, deitando abaixo os medos e as ansiedades e sobretudo ser paciente. Tal como a terra tem de ser regada cautelosamente para que a semente germine e brote, é preciso cuidar dos nossos sonhos com carinho, atenção, foco e persistência todos os dias. Nessa altura, é importante não perder a fé e a confiança, ainda que não se vejam ainda resultados, aceitar que nada é instantâneo na nossa vida. Sempre ouvi dizer que saber esperar é uma grande virtude, por isso há alturas em que parece que nada acontece, nada evolui, nem se revela, apesar de continuarmos sistematicamente a alimentar os nossos sonhos. Este é o chamado «tempo de espera». Nem sempre o aceitamos muito bem, porque queremos tudo para ontem, sobretudo quando sabemos que estamos a dar tudo por tudo, e as situações estão a levar muito tempo para serem realizadas. Quando sentimos que estamos a atravessar um longo deserto que não há maneira de acabar, temos de aprender a lidar com esse «tempo de espera» com uma atitude positiva, paciente, aceitando que por vezes o tempo pode ser lento a manifestar-se, a colocar tudo no seu lugar.

Antes que as coisas aconteçam, pode ser necessário arrumar gavetas e arquivar situações do passado, limpar experiências que nos fizeram doer, fazer um reset e começar do zero, para que quando acontecerem nós estejamos realmente preparadas e com uma energia diferente. É por isso que não adianta muito querer que os sonhos se realizem fora do seu tempo, do seu momento, pois não seria saboreado da mesma maneira.
Por isso, não te inquietes se sentires que estás há demasiado tempo à espera, não te frustres, nem desesperes, cultiva em ti pensamentos positivos durante esse processo, acalma a mente, tudo se há-de compor na altura certa. Não sintas ansiedade porque o relacionamento que desejavas não chega, porque não consegues o emprego ou a promoção que precisas, porque ainda não é este ano que mudas de casa, ou porque o momento de engravidar ainda não chegou…entre tantos outros sonhos que podes estar à espera.Não tenhas pressa, desacelera o teu ritmo, faz as coisas que te dão prazer e preenchem, abstrai-te das pressões e não desistas, persiste, insiste todos os dias. Quando não esperares, se alimentares a semente, ela germinará e tudo ao teu redor mudará. Nesse dia, em que vires o teu sonho a brotar vais entusiasmar-te e perceber que na vida, tudo tem um “tempo perfeito”.

Se o resultado, não for bem aquele que pretendias não te deixes abater, pois os objectivos que estabelecemos muitas vezes não se atingem do modo como idealizamos para que possamos realizar outros. Os chamados percalços do percurso nem sempre são negativos, levando-nos por vezes a situações muito melhores do que as que planeámos, introduzindo nas nossas vidas momentos inusitados que se revelam extremamente interessantes. Por tudo isso, deixa-te ser semente, semeia por onde quer que vás, pois quem bem semear, melhor há-de colher. Tudo a seu tempo, no tempo certo. Boas sementeiras! Aproveitem a Primavera!