Lei 6 – A Lei do Desprendimento

Desprender

«No desprendimento se revela o conhecimento da incerteza… no conhecimento da incerteza se revela a libertação do passado, do conhecido, da prisão da circunstância do passado. E pela nossa vontade de entrar no desconhecido, no campo de todas as possibilidades, entregamo-nos ao espírito criativo que orquestra a dança do universo.»

A sexta lei espiritual do sucesso é a Lei do Desprendimento. Segundo esta lei, depois da intenção de concretizar  os nosso desejos devemos renunciar à nossa ligação a eles, libertá-los, desligando-nos dos seus resultados.

Esta lei tem efeitos poderosos, pois permite-nos reduzir os níveis de ansiedade e de obsessão em relação aos nossos desejos, permitindo que os mesmos sigam o seu fluxo normal e se possam vir a concretizar, de modo mais fluído e abundante. Caso contrário, a nossa ligação exagerada à sua concretização  pode atrair doses industriais de angústia, de medo e insegurança, que nos impedem de expandir e aprofundar a nossa ligação com o nosso “eu” e trabalharmos o nosso autoconhecimento.

«A ligação ao resultado significa consciência da pobreza, pois esta ligação prende-se sempre aos símbolos. O desprendimento significa consciência da riqueza, pois ele traz-nos liberdade para criar. Só com um envolvimento desprendido se pode obter alegria e prazer. (…) Sem o desprendimento tornamo-nos prisioneiros de necessidades mundanas desesperadas e impossíveis, preocupações triviais, desespero passivo e tristeza- marcas indistintas de uma existência quotidiana medíocre e da consciência da pobreza.»

Neste sentido, o desprendimento é a chave para o sucesso em diferentes áreas, como a financeira, a afetiva, a familiar, a dos relacionamentos, a intelectual, entre outras, na medida em que este assenta num princípio libertador, criativo, num conhecimento da incerteza, que faz com que a vida seja vivida com mais emoção, alegria, mistério, empolgamento, desafio, aventura e magia. Permite um salto sem rede, sem segurança, que impulsiona a saída da zona de conforto, evitando os caminhos seguros, as rotinas, a estagnação e o aprisionamento das ideias rígidas e inflexíveis, que retirariam ao desejo a sua natural fluidez, criatividade e espontaneidade.

Para aplicarem esta lei nas vossas vidas é importante assim deixarem de lado as ideias fixas, optarem por uma vida livre e desprendida, permitindo a fluidez dos eventos, dos acontecimentos, dos desejos, das relações, envolvendo-se sem se apegarem, vivendo o momento presente com prazer, alegria e entrega.

#Todas as citações são da obra «Sete Leis Espirituais do Sucesso», de Deepak Chopra

«Às vezes é preciso deixar ir…»

garota-com-balao_1294_1280x1024.jpgChegados a este momento do ano damos por nós a fazer balanços de vida e a pensar no que correu bem e no que poderíamos simplesmente deixar para trás. Como pessoa interessada que sou pelo Feng shui, corrente de pensamento oriental que sustenta o equilíbrio e a harmonização das energias nos espaços, acredito que de vez em quando é preciso fazer uma limpeza a fundo nas nossas gavetas mentais, no nosso estado emocional e verificar o que está a mais, fazer uma triagem do que já não nos faz falta, para libertar e renovar a energia dos espaços e dos ambientes internos.

A proposta que te faço hoje é que faças comigo este exercício, para poderes eliminar todos os resíduos que estão a empoeirar o teu fluxo energético. Podemos chamar-lhe quase uma meditação, um diálogo interior que poderás ter contigo mesmo, pois só tu saberás o destino a dar ao que te incomoda e ao que está a travar o teu desenvolvimento.

Fecha os olhos, respira fundo, bem fundo para poderes entrar em sintonia contigo mesmo e imagina que tens um balão vermelho na mão, onde vais colocar tudo o que sentes que já não está em harmonia contigo e te desequilibrou ao longo deste último ano.

Nele poderás colocar:

– Todas as falsas ilusões e expetativas goradas em que acreditaste e verificaste que só te puxaram para baixo e fizeram ruir os castelos de areia que construíste, sem os devidos alicerces na sua base, que lhe dessem consistência.

– As lágrimas que verteste em vão por quem nunca te mereceu ou valorizou.

— Os julgamentos errados que fizeste dos outros e dos seus modos de vida, apenas por serem diferentes dos teus.

– A inveja, a ganância pelos bens materiais, que te obrigaram a trabalhar horas a mais, pela desmedida competição com os teus pares, privando-te de passares mais tempo com a tua família, fazendo de ti um escravo do consumo e do que podes ter.

– O apego em relacionamentos sofríveis e instáveis, gastos e consumidos pelo ciúme, pela perseguição, pela morbidez do controlo emocional, em que te abandonas e esqueces de quem és.

– Os falsos amigos que já não fazem sentido na tua vida, que te enganaram, te mentiram, fingindo ser alguém que não reconheces, nem sabes quem é. Se não te acrescenta valor, para quê manter?

– Os sugadores de energia que te vomitam a sua vitimização e os seus problemas inundados em ego, que são sempre mais importantes que os teus, e não te deixam partilhar quem és, no que acreditas, e o que te realiza.

– Todos os relacionamentos tóxicos, de dependência física e emocional, descartáveis, que te anulam como pessoa e te impedem de crescer e de encontrares alguém que te complete e acrescente.

-Os sonhos que do nada se transformaram em pesadelo, as agonias, os desgostos, as saudades, as tristezas, a melancolia dos dias carregados, a solidão, o desânimo e a falta de inspiração para fazeres mais e melhor.

– Os padrões de comportamento antigos que teimas em repetir vezes e vezes sem conta, arrastando-te para os mesmos resultados, as mesmas frustrações, erros e consequências de sempre.

– As crenças que te limitam e que te dizem coisas que não és, nem acreditas verdadeiramente, impedindo-te  que reveles a determinação e confiança  necessária para poderes chegar mais longe e sentir orgulho de quem és.

Coloca neste balão todos os maus pensamentos e liberta-te deles. Depois larga o cordel que prende o balão e seguras na tua mão e deixa-o ir, vê-o a voar bem alto, cada vez a uma distância maior, cada vez mais longe de ti, e sente-te leve, como se toda a tua pesada carga negativa que transportavas às costas se fosse afastando aos poucos de ti…dando lugar a um céu mais azul, com um brilhante arco-íris que te faz de novo acreditar que sim, tu és capaz!

Experimenta soltar o balão, pois às vezes a única solução que tens, é mesmo deixá-lo ir!

Amor ou Apego?

Faz parte da nossa herança genética a necessidade de nos vincularmos a um ser cuidador primário, geralmente a mãe, com quem estabelecemos desde tenra idade um comportamento de dependência e afeto, que nos permite garantir a sobrevivência e o desenvolvimento social e emocional.

O que é considerado um comportamento inato e normal na espécie humana,  comum também em alguns primatas e noutros animais, numa determinada fase de vida, transforma-se num problema quando transposto para a área dos relacionamentos e dos afetos, onde mantemos o mesmo comportamento infantil e dependente, requerendo a atenção e o foco permanente do outro.

O apego facilmente vira padrão emocional, levando a que vulgarmente confundamos o amor com o apego, achando que amor é cobrança, é exigência, é atenção. Focamo-nos mais no nosso objeto de amor do que em nós próprios, vivemos ao sabor do que o outro quer, vivemos montanhas russas emocionais, sentimos dores no estômago dilacerantes, culpamo-los por não nos amarem. Mas será que a questão está no outro, ou em nós mesmos?

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Viver amor sem apego, é uma mestria que não é alcançável para a grande maioria, pois não nos ensinaram a amar assim… Mas amar o outro, que é diferente de mim, tem de ser deixá-lo ser livre em vez de se querer moldar o companheiro ou companheira de acordo com os nossos padrões, afinal nós também não somos donos da verdade. Não podemos projetar nos outros,  as nossas expetativas, pois acabamos por nos enganar apenas a nós próprios. Cada um é como é, único e especial, não tem de ser feito de acordo com os nossos modelos, isso não existe.

Nesse aspeto, só o amor deixa o outro “ser”, crescer, libertar-se, não se apega com o medo de perder. O amor acrescenta, valoriza, o apego aprisiona, controla, paralisa.

O segredo do amor pleno é um mistério da vida, que muito poucos afinal conhecem.

Deixo-vos com este pequeno filme onde Jetsunma Tenzin Palmo nos fala do amor autêntico e genuíno, descubram as diferenças entre isso e o apego.