Desafio 18 – Dá sem esperares nada em troca

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A felicidade passa também por aquilo que nós fazemos, damos e contribuímos para o bem estar dos outros, fazendo-nos sentir úteis e parte de algo maior do que nós mesmos. Se cultivarmos essas ações com frequência, sem esperar vê-las reconhecidas ou receber algo em troca do que damos, estamos a trabalhar em nós o verdadeiro amor incondicional, aquele que é o amor maior e mais sublime que um ser humano pode dar a outro, sem condições, sem expectativas, com o coração inteiro, só pelo puro prazer de dar.

Está provado que quem faz voluntariado e não tem qualquer tipo de compensação financeira  pelo trabalho que realiza se sente muito motivado e feliz, mais até, muitas vezes, do que se o fizesse apenas por dinheiro, estando empenhado na causa que defende.

Neste sentido, o  desafio que te proponho hoje é que comeces a pensar como podes dar mais de ti aos outros e contribuir para um mundo melhor, mais justo e equilibrado. Como sabes há imensas instituições a precisar de trabalho voluntário e podes começar a pesquisar as necessidades que têm, caso sintas vontade de ocupar o teu tempo livre a sentir-te útil aos outros. Mas, se não tiveres disponibilidade, também não precisas ser voluntário para contribuíres, podes participar ativamente numa campanha que defenda grupos desfavorecidos, seja através de petições, de partilhas e de divulgação na internet; podes fazer doações de roupa ou de livros, por exemplo, a alguma instituição social; também te podes fazer sócio de alguma dessas associações, ou então através mesmo de donativos. Mas, se também não te revês nestas situações e gostavas de começar a dar mais, também o podes fazer junto da tua própria família, dos teus amigos, ou dos que te são próximos. Às vezes basta tão pouco para ajudar os outros, uma conversa, um pequeno serviço ou tarefa que sejam necessários, um sorriso, um abraço, ou a nossa simples presença. O importante é que te dês sem esperar nada , que dês pelo prazer de dar. Vais ver que te vais sentir ainda mais feliz quando experimentares o poder mágico da dádiva.

«A história de uma gaivota e do Gato que a ensinou a voar», de Luis Sepúlveda

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Esta é a história de Zorbas, um gato preto, grande e gordo, que vivia num apartamento, perto do porto de Hamburgo e da sua aventura durante as quatro semanas em que a sua família adotiva se ausentou para férias.

Esperava-o dias de descanso a apanhar sol na varanda, onde seria o dono do apartamento, absorto nas suas rotinas, mas bastou-lhe apenas umas horas em solidão para que algo lhe tivesse acontecido. Uma gaivota, apanhada por uma maré negra de petróleo, em completa agonia caíra-lhe na varanda e o gato, que deveria ter os naturais instintos de felino, cede perante o desespero da ave e oferece-se para a ajudar. Como o estado da gaivota é mesmo muito grave e a morte iminente, ela pede a Zorbas dois favores ainda maiores do que o seu resgate, tornando o gato guardião do seu ovo, após o seu desaparecimento, e o responsável por ensinar a gaivota,que nascerá daquele ovo, a voar. E é o que sucederá, com a ajuda dos amigos do gato Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello.

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Trata-se na verdade de uma bela fábula, sobre o valor do amor incondicional pelos outros, mesmo quando as diferenças são abismais, pelo empenho e dedicação em sermos e darmos o melhor de nós, mesmo quando o que nos pedem é aos nossos olhos completamente impossível. Mais um livro que nos apela à voz do coração, que sim, só essa nos permite sair dos nossos limites prováveis, mostrando que quando há vontade, até um gato pode ensinar uma gaivota a voar.

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Esta obra é um eco de esperança, de humildade, de poesia, que sempre me apaixonou, não só porque os protagonistas são gatos, dos quais sou absolutamente fã, mas porque restaura em mim a fé, a coragem, a compaixão pelo meu próximo, a integração das diferenças, a descoberta de sentidos e de conexões completamente improváveis, a busca de conhecimento e de soluções para áreas e problemas que não domino. Neste sentido, uma das mensagens deste livro para mim é que se necessário for, para poder ajudar o meu próximo, devo sair da minha “zona de conforto”, enfrentar desafios internos e externos para produzir excelentes resultados, entregar-me de corpo e alma na minha missão, tal qual Zorbas e os seus amigos fizeram com Ditosa, a gaivota bebé que cresceu e foi preciso ensinar a voar.

Lei 7 – A Lei do «Dharma» ou da Finalidade da vida

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«Todas as pessoas possuem uma finalidade na vida…uma dádiva singular ou um talento especial para oferecer aos outros».

Eis-nos chegados à última lei espiritual do sucesso, a lei do «Dharma», que em sânscrito significa «finalidade na vida». Segundo esta lei todos temos uma missão, um propósito de vida, algo que nos distingue dos demais, que nos torna únicos e especiais, possuindo talentos e capacidades singulares que devem ser ofertados aos outros para que possamos cumprir a nossa finalidade e justificar a razão da nossa existência. Segundo Deepak Chopra, quando os nossos talentos são usados para suprimir as necessidades dos outros gera-se aquilo a que ele descreve como «centelha da prosperidade».

Neste sentido, esta lei complementa outras duas, que já referimos em posts anteriores, a da potencialidade pura e a da dádiva, já que a partir da primeira nós entramos num estado de profundo conhecimento interno, possibilitando-nos conhecer os nossos talentos mais genuínos, e com a segunda tomamos consciência da necessidade de darmos aos outros algo de nós.

Para colocares esta lei em prática é essencial que te faças algumas questões durante os momentos em que se travas um diálogo interno contigo mesmo em silêncio, descobrindo o teu verdadeiro eu interior.

Quais os meus talentos?

Como posso eu ajudar a melhorar este mundo?

Como posso eu fazer a diferença na vida dos que me rodeiam?

Como posso eu ajudar?

Estas reflexões têm de ser sempre de carácter desinteressado e altruísta, sem esperar dividendos, lucros ou compensações materiais, pois aqui o objectivo é dar, não é receber. Se ainda assim depois de refletires não conseguires encontrar essas respostas dentro de ti, pensa na seguinte questão sugerida por Deepak Chopra, tenho a certeza que te irá ajudar.

– Se o dinheiro não fosse preocupação para ti e se tivesses todo o tempo e o dinheiro do mundo o que farias?

Fez sentido para ti?

Elabora uma lista de todos os teus talentos especiais, aqueles que te fazem sobressair, em que sentes que gostas mesmo de fazer e te fazem sentir feliz e depois partilha-os, podes começar pela tua própria família, pelos teus amigos, e depois quem sabe te sintas com vontade de os estender ao maior leque de pessoas possível.

Eu já fiz a minha lista há uns meses atrás e descobri que gosto mesmo de escrever, o que aqui tenho partilhado contigo nos últimos tempos, que gosto de ouvir pessoas e de as ajudar, daí ter-me tornado coach, que gosto de ensinar, e por isso sou professora voluntária numa universidade sénior. E isto, eu sinto que é ainda só o princípio…

Como é, vais pôr em prática esta lei? Desafio-te! Garanto que até vais voar com a tamanha felicidade que vais sentir!

Lei 2 – A Lei da Dádiva

«O universo opera através da troca dinâmica…dar e receber constituem diferentes aspetos do fluxo de energia do universo. E se estivermos dispostos a dar aquilo que procuramos, a abundância do universo circulará nas nossas vidas.»

Gratidão com FloresEsta lei é a da reciprocidade, a do eterno retorno, da troca dinâmica do dar e receber, que se estabelece entre nós e o universo, num fluxo dinâmico e constante, que não convém interromper para que continue a jorrar em abundância.

Se o que pretendes é mais dinheiro na tua vida, então é preciso que ele circule, para que se processe o seu ciclo, não deves aprisionar a sua energia, acumulando-o, retendo-o avidamente, sem que seja aplicado em algo que gere ainda mais abundância, embora isso não queira dizer que te tornes um esbanjador irrefletido. Como diz Chopra, «como um rio, o dinheiro deve fluir, senão começa a estagnar, a parar, a sufocar e estrangular a sua própria força vital.

Neste sentido, o dar e o receber são faces diferentes da mesma moeda, um alimenta o outro, repondo o equilíbrio, num fluxo que se pretende dinâmico. Assim, «quanto mais se der, mais receberá, porque assim a abundância do universo continuará a circular na sua vida».

De acordo com esta lei devemos dar aos outros o que pretendemos receber nas nossas vidas. «Quando aprendermos a dar aquilo que desejamos para nós, ativamos e coreografamos a dança, através do movimento delicado, enérgico e vital que constitui a eterna vibração da vida.

E como poderemos nós colocar em prática esta lei nas nossas vidas?

Para mim esta é das leis universais que considero mais simples e mais eficaz, pois não pressupõe grande disciplina da minha parte, nem alteração de hábitos ou rotinas. Para isso basta darmos aquilo que temos ao nosso alcance para poder melhorar a vida dos outros, seja apenas com um sorriso no cumprimento matinal, com um abraço afetuoso a um familiar, com uma sms para aquele amigo que não dá notícias há dias, com uma flor para a mãe, um donativo para uma causa solidária ou com umas horas do teu tempo num voluntariado com que te identificas. Tu depende de ti, da  vontade  quem tens em te dares aos outros e  do tempo que dispões para isso, o que às vezes como vês, pode ser tão pouco. Ao experimentarmos esta entrega, asseguro-te que nos podemos sentir como se fôssemos de facto agentes infiltrados da felicidade, e custa tão pouco isso…

Outro ponto importante a reter na aplicação desta lei é a importância de sermos gratos, devendo agradecer cada dia, cada pequena benesse que nos acontece, os pequenos nadas transformados em grandes acontecimentos.

Por fim, convém que não nos viciemos apenas numa das suas polaridades, que saibamos dar, mas também receber, e vice-versa, para respeitar o equilíbrio, não sendo sovinas, nem forretas, nem tão pouco orgulhosos, nem impertinentes, exigindo-nos humildade e abertura em relação ao que os outros nos querem ou podem dar.

Dispostos a exercitar esta lei na vossa vida?

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O universo um dia devolve!

Acredito que nada é por acaso nesta vida, e não foi por coincidência que hoje encontrei este vídeo, precisamente no dia em que  comecei a ressentir -me do ritmo dos últimos tempos, concentrada em várias atividades voluntárias diferentes, em simultâneo, num vaivém que tem ocupado todas as minhas horas extras. Nunca tal tinha acontecido assim, tudo de uma vez… Senti-me cansada pela manhã, pela azáfama de andar sempre a correr, de chegar a casa e ter ainda de preparar aulas e apresentações, cursos e workshops…senti saudades de ter tempo para mim…

Cheguei a pensar que o universo estava a ser muito exigente comigo, mas na verdade cada um desses desafios, está a permitir-me a possibilidade de crescimento pessoal, trazendo-me uma compensação que não tem preço… São os efeitos mágicos do voluntariado, em que basta uma palavra carinhosa ou de apreço, um sorriso rasgado, uma emoção comovente, um olhar de interesse, uma questão pertinente, para nos devolver de novo a satisfação e o empenho em querer prosseguir, minorando o cansaço e o possível desânimo.

Cada um desses gestos devolvidos é o que necessito para acreditar que as sementes que lançamos à terra, um dia podem germinar e dar frutos. Se o universo conspira para nos colocar em determinados trilhos certamente terá as suas razões. A mensagem que me chegou depois de ver este filme foi de um enorme alento, provando que a contribuição anónima, mesmo sem ser reconhecida e sem compensações financeiras, pode trazer emoções gratificantes e um sentimento de missão cumprida.

Sinto que é preciso confiar e dar desinteressadamente, sem esperar nada em troca, o universo devolverá, seja de que maneira for.