Escrever…

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Sempre gostei de escrever, sempre foi algo que gostava de fazer na escola, sendo pródiga nas composições em que tinha liberdade criativa para imaginar. Colocava no papel histórias fantásticas, cheias de ação e de surpresas e embora não me tenha transformado ainda numa escritora, é algo que está sempre presente em mim.

Escrevo por prazer, por ser a forma que melhor utilizo para comunicar, para dizer o que penso e o que sinto. Escrevo para inspirar, para motivar, mas também muitas vezes para aliviar o que me vai na alma e carece de desabafo. Escrever tornou-se assim um hábito, uma rotina que exerço todos os dias um pouco, quer neste blogue, quer nas redes sociais, como um recurso mediático para motivar as pessoas que me seguem a acreditarem mais nas suas potencialidades e capacidades. Todos os dias encontro palavras que se emparelham e se montam, como se tivessem vida própria, que se traduzem em mensagens de alento, de positivismo, de alegria, de reflexão e de conforto. Tornou-se um vício brincar com as palavras todos os dias pela manhã. E há vezes em que eu sinto que já não sou eu que as encontro, são elas que me escolhem como sua mensageira, chegando até mim sorrateiras, ainda ensonadas, à espreita da frase certa para despertar consciências. Muitas vezes, são elas inclusive que me salvam o dia e me inspiram.

Há cerca de 2 anos para cá, utilizo a escrita também como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e de criatividade num clube de escrita que facilito, ajudando a libertar as palavras que estão escondidas e que a medo se revelam. Ultimamente, comecei também a facilitar workshops de escrita criativa, com o intuito de desbloquear a imaginação e o fluxo das palavras. Tem sido um trabalho muito gratificante fazê-lo, não só porque me diverte muito pensar nos exercícios e nos desafios que farão os formandos sair da sua zona de conforto, mas também porque em cada sessão fico fascinada com as palavras que voam, ditadas em textos inspirados, que saem das profundezas da sua alma, palavras que os formandos às vezes nem sabiam que tinham guardadas, bem como memórias e mundos desconhecidos, que através das palavras conseguem ganhar forma. Escrever é romper com os dogmatismos, com as ideias feitas e preconcebidas, é arrancar do peito dores e transformá-las em experiências de vida e aprendizagens. Nesse sentido, escrever pode servir como uma poderosa ferramenta de autoconhecimento, mas também como catarse e terapia para expulsar o que nos incomoda, o que nos fere, ou inquieta. Permite-nos fazer uma viagem interna de transformação pessoal, servindo para afastar tristezas e expressar sentimentos que precisam ser manifestados para se libertarem.

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Através da escrita criativa que pratico, a qual não pretende formar escritores, nem tão pouco possui intuitos literários, é possível experimentar a liberdade das palavras, o sermos nós mesmos, únicos, sem constrangimentos, pensamentos ou julgamentos de valor. Costumo dizer nas sessões que dinamizo que nunca, mas nunca devemos nos desculpar perante os outros pelos nossos textos, nunca devemos nos menosprezar ou julgar, porque tudo o que escrevemos é livre e devemos aceitar o que veio nesse processo de escrita. Só numa fase posterior, é que podemos preocupar-nos com uma possível edição, revisão de texto, de erros ortográficos ou composições gramaticais, porque afinal o que interessa é praticar, escrever sem pressões, ou formatações. Escrever tão somente.

Escrever como terapia ajuda de facto a ultrapassar traumas, momentos do passado mais difíceis, podendo complementar a escrita com outras terapias ou expressões artísticas, para facilitar o processo de cura.

Escrever limpa a alma, como o choro a alivia, organiza e clarifica os nossos pensamentos e pode levar-nos para longe, para cenários nunca antes pensados, conhecer personagens desconhecidas, travar diálogos improváveis. Escrever é sempre uma viagem, onde nunca estamos sós… Escrever para muscular a criatividade enferrujada, para criar intimidade com as palavras, para voar, para abrir um portal novo onde jamais se conhece o lugar de destino, pois escrever é sempre uma aventura.

Por isso, mesmo que não gostes muito de escrever, nunca deixes de tentar, de praticar e exercitar, pois nunca sabes o que poderás encontrar. Lembra-te que, como o disse Thomas Edison «o génio é um por cento de inspiração e noventa por cento de transpiração», por isso nada de dizer que não sabes escrever, ou que não és capaz! É só começar a praticar, todos os dias um pouco mais… Vamos escrever?

A História de um Beijo mágico

Neste universo imenso de inspirações românticas que o S. Valentim nos proporciona o desafio que vos proponho hoje é o de escreverem um apontamento sobre aquele beijo mágico que fez parar o vosso mundo. Descrevam o momento, viagem no tempo e deixem-se embalar pelas memórias desse beijo apaixonado eterno, que ainda ecoa na vossa memória. Escolhi estas imagens do fim do filme do «Cinema Paraíso», por serem belíssimas, verdadeiramente envolventes e comoventes. Inspirem-se, deixem a caneta rolar, sem críticas, sem julgamentos. Respirem fundo pelo meio, sorriam, chorem se for caso disso, mas sobretudo sintam-se felizes por recordar um momento tão afortunado.

Depois podem sempre compor a história num postal artesanal e se tiverem vontade de partilhar ofereçam-no a quem aquece os vossos corações.

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Tango Argentino

O que hoje te proponho é um exercício de escrita criativa. Ouve um tango do Piazolla, viaja até Buenos Aires, perde-te por entre ruelas, imagina uma cena com muito romantismo e dedica esse conto ao teu parceiro (a), podes sempre oferecê-lo no dia 14 de fevereiro. A condição  é  que a última frase do texto seja: «Não! A única coisa a fazer é dançar um tango argentino».

O meu texto foi este…Inspira-te e faz o teu…

«Afagas-me os cabelos, contas-me histórias ao ouvido de outros portos e lugares. As tuas palavras ecoam doces e sedutoras, sabem a mar, a paixão e a mentira, tornando-te perigosamente tentador. Passas a mão pelos teus cabelos negros, cobertos de brilhantina, acendes um cigarro e retorces o bigode com mestria. Fazes-me um olhar matreiro, o mesmo que já repetiste tantas outras vezes para mulheres como eu e fazes-me hesitar. Convidas-me para dançar, naquele bar escuro, cheirando a rum e a whisky… O meu coração pula, o ritmo da respiração aumenta.

Sinto o toque quente dos teus dedos robustos a deslizar aos poucos sobre a minha cintura, passeando sobre os folhos do meu vestido preto. Todo o meu corpo é vacilante, como se pedisse mais calor. Mordo os lábios pintados de rubi, contendo o delírio que se apodera de mim.

Sigo contigo os passos deste tango lânguido e sussurrante, contorço-me sobre o teu corpo e deixo-me embalar. Tu conduzes-me mais uma vez e eu deslizo sobre o tabuado de madeira gasto, deixando no chão a marca dos tacões dos meus sapatos pretos.

O som da velha concertina desconcentra-me, já só vejo os teus olhos verdes, a pedir amor e pecado. Mas eu resisto. Tento esquecer todos os marinheiros que tive nos meus braços antes de ti e do quanto me fizeram sofrer. Desta vez, prometo que será diferente… Fecho os olhos e finjo que já não te vejo, que Já não te ouço, afasto-te da memória e dos sentidos. Só ouço a música, que me invade e domina. Não! A única coisa a fazer é dançar um tango argentino