A segurança nos relacionamentos

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Muita gente sonha com um relacionamento seguro e estável, mas na verdade segundo Osho, no seu livro, «Intimidade: confiar em si próprio e no Outro», nenhum relacionamento pode ser seguro, porque se for absolutamente seguro perderá o seu encanto e atração. Nada é 100%  garantido, nem o maior dos amores pode jurar a pés juntos que se manterá junto daqui a alguns anos. O amor é uma construção, é imprevisível, é dinâmico pelo que não se pode aprisionar, tudo é possível de acontecer. É esse lado “inseguro” que o faz ser vivido com tamanha intensidade, porque do futuro nunca se sabe, apenas se sente no presente, se ama no presente. As projeções do amor no futuro não passam de ilusões nossas.

Nesse sentido, o futuro está sempre em aberto, é por isso que Osho afirma, com alguma graça, que «se quer um relacionamento muito seguro, terá de amar um morto; mas nesse caso não sentirá prazer nenhum». Vistas as coisas nesta perspetiva nenhum relacionamento deve ser muito seguro, deve saber-se conviver com o medo da perda, sem fazer disso uma obsessão, pois nada é certo nesta vida. Amar é arriscar, nunca se conhece o momento seguinte, por isso se deve amar com total entrega e intensidade, porque o que é hoje, amanhã poderá já não ser. Amar é perder o medo de perder, doar-se, aproveitar o momento presente, evitando remorsos tardios. Desta forma, o amor não é para os pouco audazes, para os medrosos, sendo uma arte para os corajosos e aventureiros que não temem colocar o coração a prémio. Amar é uma verdadeira libertação, embora haja aqueles que o evitam apelando às defesas e às armaduras que os impedem de reviver dramas e traumas antigos…escudando-se em relações efémeras e fugazes, mas que negam o amor, maldizendo-o. Como somos aquilo que pensamos e temos a capacidade de tornar as nossas profecias uma realidade, se negarmos o amor com medo de nos magoarmos, tudo o que atrairemos serão sem dúvida relacionamentos muito desagradáveis e atolados de negatividades. Por isso, correndo o risco de poder correr mal, o melhor é viver o sentimento do amor, e deixar que ele inunde de cor e felicidade as nossas vidas, acreditando no seu enorme potencial transformador. Segurança no amor? Só no cemitério, onde foram felizes para sempre.

«Não desperdice este momento a preocupar-se com o futuro, porque isso é suicida. Não dirija um único pensamento ao futuro, porque nada se pode fazer quanto a ele, e portanto é uma pura perda de energia. Ame esse homem e seja amado por ele.»

Citações da obra: «Intimidade: confiar em si próprio e no Outro»

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O poder do silêncio

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Continuando a explorar a obra de Osho «Intimidade: confiar em si próprio e no Outro», refletimos hoje sobre a importância do silêncio na relação connosco mesmos e com os outros.

É no silêncio que reconhecemos a nossa essência, que dialogamos com as camadas mais profundas do nosso ser, que descobrimos as respostas mais internas e autênticas. É nesse estado meditativo que nos conhecemos e descortinamos os sentidos mais misteriosos da vida quer através desse diálogo interno que estabelecemos connosco, quer através da nossa ligação ao divino, numa perspetiva mais etérea.

Também no amor, o silêncio é das formas de expressão mais importantes e autênticas, e não falo daquele silêncio que se impõe como um manto magoado, constrangedor, mas daquele que não precisa de palavras, expressando-se através do toque, de um olhar, de uma carícia, falando através dos sentidos e do coração que vibra na mesma sintonia. Porém, a verdade, é que nem sempre nos sentimos bem com este silêncio e tendemos a preencher os mudos momentos com palavras e ruído desnecessário para esconder desconfortos e sobretudo para mascarar sentimentos, que muitas vezes são já inexistentes.

«Você precisa da linguagem para se relacionar com as pessoas com quem não tem nenhum relacionamento de amor. Precisa da não – linguagem para pessoas com quem tem um relacionamento de amor. A pessoa deve tornar a ser inocente como uma criança e ficar em silêncio. Os gestos estarão presentes, por vezes, sorrisos e dar as mãos, outras vezes fica-se simplesmente calado, olhando nos olhos um do outro, sem fazer nada, contentando-se em ser. As presenças encontram-se e fundem-se e algo acontece que só você conhecerá. Só você, a quem isso aconteceu».

Citações da obra: «Intimidade: confiar em si próprio e no Outro»

Confiança, Amor próprio e Intimidade

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Para confiares nos outros tens primeiro que começar por confiar em ti próprio. Se não confiares em ti, como poderás confiar em terceiros? O mesmo se passa no amor, tudo passa primeiro pelo nosso amor-próprio, pois se não tivermos amor por nós, não poderemos nem amar nem permitir sermos amados. Seguindo a leitura do livro de Osho «Intimidade: Confiar em si próprio e no Outro» há uma citação que gostaria de destacar por nos revelar muito do que se passa nos relacionamentos atuais, em que há excesso de defesa e de receio da entrega e da vulnerabilidade:

 « Como poderá você amar uma pessoa que se condena a si própria? Essa pessoa não acreditará em si. Se ela não se ama como pode você amá-la? Suspeitará de que se trata de uma brincadeira, de um embuste, de uma rasteira. Suspeitará que você tenta enganá-la em nome do amor. Será muito cautelosa, vigilante, e essa suspeita envenenará o seu ser. Quando você ama uma pessoa que se detesta a si própria, está a tentar destruir o conceito que ela faz de si própria.»

Penso que nesta citação encontramos o paradigma de muitas das relações amorosas e dos seus problemas contemporâneos, pautados pelos desequilíbrios e pela desarmonia a longo prazo. Nenhuma energia amorosa resiste a este turbilhão de sentimentos, ao “desamor próprio” que vivemos, assistindo-se a relacionamentos cada vez mais autodestrutivos, efémeros e de fraca consistência. Amar o outro implica assim que eu me ame em primeiro lugar e não esperar que ele preencha o meu vazio emocional. O contrário pressupõe carência, egocentrismo, desespero, vitimização e descontrolo.

Para se tornar íntimo de alguém é preciso que confiemos em nós e no outro e que permitamos essa aproximação, sem medo, em total respeito e entrega incondicional. Intimidade é relacionarmo-nos com proximidade física e confiança, sem necessidade de fingimentos, de máscaras e de subterfúgios.

«Quando dois amantes são realmente francos um com o outro, quando não têm medo um do outro e não escondem nada um do outro …isso é intimidade. Quando eles podem dizer cada coisa e todas as coisas sem medo de que o outro fique ofendido ou magoado…» .

Mas se a intimidade é isto, será que cada um de nós está disponível para se deixar expor por completo, assumindo a sua própria vulnerabilidade? É por isso que, nem mesmo os amantes mais fervorosos costumam ser normalmente íntimos, porque a intimidade despe não apenas o corpo, mas a alma na sua essência, deixando «que o outro entre em si , o  veja como você próprio se vê; e deixar que o outro o veja a partir do seu interior.»

A intimidade é assim um bem raro e muito precioso,  sendo possível apenas entre pessoas que são corajosas e que não têm medo de se mostrarem e de se entregarem, sem recearem que o outro, com quem estão, possa explorar a seu favor esse capital de conhecimento tão profundo.

Citações da obra: «Intimidade: confiar em si próprio e no Outro», de Osho

Tema do mês: “escavar bem fundo dentro de nós”

«Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente da tua ignorância e serás sábio»

Sócrates

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O tema que escolhi para refletirmos em conjunto durante o mês do outubro anda à volta das nossas raízes, do que nos faz ser de determinado modo e não de outro. Tal como as árvores que crescem presas na terra, nós vivemos presos às nossas raízes, às nossas crenças, aos nossos sistemas de pertença, à nossa cultura e educação, às experiências que vivemos, aos percursos que escolhemos. Tudo isso nos molda e nos torna únicos no mundo, sendo as nossas raízes algo que não podemos trocar com mais ninguém, porque são exclusivas do nosso eu. Por serem tão profundas, muitas vezes nem sabemos de onde vêm, escondem-se no subsolo da nossa memória e do nosso inconsciente, mas estão sempre lá, a influenciar as nossas atitudes e comportamentos, opiniões e valores. Na maior parte das vezes, nem damos por elas, nem as questionamos, simplesmente estão lá algures no mais profundo do nosso ser.

O que pretendo, ao explorar este tema, é sacudir a poeira que se aloja debaixo dos tapetes da nossa mente, arejá-la dos fantasmas que nela se alojam, das sombras que nos assustam, dos bichos papões que alimentamos no sotão do nosso inconsciente.

Por esse motivo, uma das minhas sugestões de leitura este mês é um livro fantástico, extremamente simples mas profundo, de autoria de Osho, «Intimidade: confiar em si próprio e no outro», que nos permite inquirir o modo como nos estamos a relacionar connosco mesmos e com os outros que nos rodeiam. Garanto que te deliciarás a ler as suas páginas de fio a pavio, bebendo as reflexões sábias deste mestre indiano, que nos levam a voltarmo-nos para dentro, no sentido de acrescentarmos mais reflexão sobre nós e as nossas emoções.

Ao longo da obra são abordados temas como o autoconhecimento, a autoconfiança, a autenticidade, a privacidade, a linguagem do silêncio, as sombras e os valores, a autoaceitação, a vulnerabilidade, a reciprocidade, entre outros aspetos. Inspirada por estes ensinamentos de Osho, os próximos posts serão dedicados à reflexão de alguns destes assuntos, procurando assim uma ligação mais próxima e consciente às nossas raízes.