Natal Feliz!

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Nesta véspera de Natal quero endereçar a todos os seguidores deste blogue e a todos os leitores do mesmo, votos de muita paz, motivação e esperança para iluminar o vosso Natal, esperando que o mesmo seja vivido com muita magia, alegria e gratidão. Que os vossos sonhos se transformem em realidade não só neste dia, mas nos outros 364 dias do ano. Abracem muito, beijem, digam que gostam das pessoas importantes que vos rodeiam, só vivemos uma vez, sabemos lá nós se teremos mais algum natal pela frente?

Deixe-nos invadir pela inocência da criança que aprisionamos dentro de nós, já sabemos que não há Pai Natal, é uma realidade, mas há tantas coisas que podem encher o nosso coração, como se fôssemos crianças novamente, entusiasmar-nos com pequenas coisas…com pequenos presentes e atitudes… Eu adoro esse meu lado de criança, em que abre o mais pequeno presente, fascinada pelo embrulho, faz-me recuar no tempo, invadir-me de alegria.

Para quem não gosta desta época em particular, porque está só, porque lhe faleceu algum familiar recentemente, e porque só quer que esta noite passe a correr, a minha sugestão é que faça alguma coisa diferente, vão jantar fora, ao cinema, convidem alguém lá para casa que também precisa de um pouco de atenção, façam um gesto nobre, passem a noite numa instituição social, ofereçam um pouco de vocês aos outros, de certo encontrarão um outro espírito de natal, um outro sentido para esta noite.

Ofereço-vos um poema de Fernando Pessoa e despeço-me de vocês talvez até domingo, porque é tempo também de parar, sossegar e viver a quadra.

Sejam felizes!

Chove. É Dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa, in ‘Cancioneiro’

 

 

A poesia da vida

Neste breve excerto de um relato de Edgar Morin, importante sociólogo e filósofo francês, que muito contribuiu para o pensamento sociológico das últimas décadas, reflete sobre a fragilidade da felicidade, defendendo que devemos viver o lado da poesia da vida, o que nos faz sorrir, o que nos remete para o êxtase e para a alegria, o que nos eleva da nossa condição de ser humanos.

Segundo este sociólogo, a vida é feita de prosa, tudo o que fazemos por obrigação e que define as nossas rotinas, estrutura as nossas funções, e também feita de poesia que nos permite «florescer, amar, comunicar». Para ele a felicidade depende de condições exteriores, de aspetos que podem influenciar as nossas vidas e fazer-nos transitar facilmente de um estádio a outro com facilidade, da felicidade à infelicidade, pelo que exorta a que cada um viva a poesia da vida da melhor maneira.

Para mim, que ainda sou uma aprendiza e que tenho tanto ainda para aprender sobre os mistérios da vida e da felicidade, penso que esta é mais do que um estado de alma que depende de motivos exteriores, é um caminho a percorrer, que pode ter momentos mais intensos do que outros, mas que exige de nós dedicação e entrega diária, de modo a que ela dependa mais do nosso interior, do trabalho que podemos fazer connosco mesmos. Assim, felicidade é aceitar que mesmo nos momentos mais tristes, eu posso ter uma estrutura feliz por dentro. Porque a felicidade não é apenas um estado que se exterioriza com euforia, alegria e celebração, a felicidade é algo mais profundo, é um estado que se sente e se transmite em tudo aquilo que somos. Eu posso ter uma doença e ainda assim eu estar feliz, eu posso estar desempregada e estar feliz, eu posso ter momentos tristes, mas ser feliz…Posso é não conseguir demonstrar exteriormente essa felicidade com risos e com sinais mais evidentes de alegria, mas ainda assim estar feliz comigo mesma por saber que interiormente encontro essa paz que me tranquiliza.

Seja lá como for que sintam a felicidade e que a entendam o importante é mesmo viver a poesia da vida, o que lhe dá sal e condimento, alegria, beleza e amor.

Sejam felizes!

«De todos os cantos do mundo»

mundoidealInspirada pela poesia de Sophia de Melo Breyner, a escrita flui, o desejo e o sonho de viajar agudiza-se, a liberdade invade o pensamento…

«De todos os cantos do mundo chegam notícias de paisagens, pessoas e lugares. Chegam promessas de viagens sonhadas que não pude realizar.

Chegam ecos de aventuras imaginadas.

Chegam imagens de cidades grandes, cheias de cor, luz e folia,

banhadas por rios coloridos e curvilíneos,

Chegam postais de praias desertas,

Onde gostava de me banhar e contemplar amanheceres mágicos.

De todos os cantos do mundo chegam mensagens de fé e reflexão,

De templos, igrejas, sinagogas e mesquitas,

Onde o nome de Deus se multiplica em contínuas orações e nunca é vão.

Chegam informações científicas de rituais sagrados e milenares,

De povos que se besuntam com a terra e inscrevem no corpo códigos e sinais,

De festas e de romarias, de Carnavais em terras quentes.

De todos os cantos do mundo,

Chegam novidades de aventuras, assaltos e sobressaltos,

De destemidos que escalam montanhas,

E de audazes valentes que atravessam as areias do deserto.»