O poder do silêncio

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Continuando a explorar a obra de Osho «Intimidade: confiar em si próprio e no Outro», refletimos hoje sobre a importância do silêncio na relação connosco mesmos e com os outros.

É no silêncio que reconhecemos a nossa essência, que dialogamos com as camadas mais profundas do nosso ser, que descobrimos as respostas mais internas e autênticas. É nesse estado meditativo que nos conhecemos e descortinamos os sentidos mais misteriosos da vida quer através desse diálogo interno que estabelecemos connosco, quer através da nossa ligação ao divino, numa perspetiva mais etérea.

Também no amor, o silêncio é das formas de expressão mais importantes e autênticas, e não falo daquele silêncio que se impõe como um manto magoado, constrangedor, mas daquele que não precisa de palavras, expressando-se através do toque, de um olhar, de uma carícia, falando através dos sentidos e do coração que vibra na mesma sintonia. Porém, a verdade, é que nem sempre nos sentimos bem com este silêncio e tendemos a preencher os mudos momentos com palavras e ruído desnecessário para esconder desconfortos e sobretudo para mascarar sentimentos, que muitas vezes são já inexistentes.

«Você precisa da linguagem para se relacionar com as pessoas com quem não tem nenhum relacionamento de amor. Precisa da não – linguagem para pessoas com quem tem um relacionamento de amor. A pessoa deve tornar a ser inocente como uma criança e ficar em silêncio. Os gestos estarão presentes, por vezes, sorrisos e dar as mãos, outras vezes fica-se simplesmente calado, olhando nos olhos um do outro, sem fazer nada, contentando-se em ser. As presenças encontram-se e fundem-se e algo acontece que só você conhecerá. Só você, a quem isso aconteceu».

Citações da obra: «Intimidade: confiar em si próprio e no Outro»

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Lei 1 – A Lei da Potencialidade Pura

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Esta lei é essencial para o nosso autoconhecimento, tem a ver com a nossa consciência pura, que é também a nossa natureza essencial. Segundo Deepack Chopra quando descobres esse estado puro de ti mesmo encontras «a capacidade para realizar todos os sonhos, porque nós somos a possibilidade eterna, o potencial imensurável de tudo o que foi, é e será.»

Ao nos ligarmos à nossa essência abandonamos os medos, a necessidade de controlo do outro e das coisas, deixamos de nos manipular pelo nosso próprio ego e pelo papel social que este desempenha. «O nosso verdadeiro Eu, que é a nossa alma, encontra-se totalmente liberto destas coisas. É imune à crítica, não teme os desafios, e não se sente inferior a ninguém. E no entanto, também é humilde e não se sente superior a ninguém, pois reconhece que todos os outros constituem o mesmo Eu, a mesma alma sob diferentes formas».

Mas de que forma poderemos nós aplicar esta Lei da Potencialidade Pura nas nossas vidas para aprofundar esse autoconhecimento?

O autor refere-nos três práticas essenciais para a construção desse caminho. São elas o exercício do silêncio, a meditação e o não julgamento.

Que me dizem? Nada fácil não é verdade?…Contudo podemos aos poucos ir aplicando estes princípios na nossa vida. O ideal seria experimentar mais vezes o silêncio, “desligarmo-nos” do mundo e das suas conexões, mas se levas uma vida atribulada, que tal começares por definir momentos do dia ou da semana para isso? O importante é mesmo começar.

E a meditação? Alguma vez já experimentaste? Podes começar por fazer uma pausa por breves minutos no teu dia e ires aumentando a intensidade ao longo do tempo, podendo chegar a meia hora diária ou até mais. O que importa é que te sintas bem nesses breves instantes em que fechas os olhos e mergulhas em ti mesmo.

Quanto à última proposta, bem esta se calhar é mesmo a mais difícil de todas…como não tecer comentários negativos e depreciativos sobre os outros, quando vives numa sociedade que adora deitar abaixo tudo e todos, a começar no teu emprego, no teu bairro, nos grupos que frequentas…?Pois, aí o desafio pode consistir em te comprometeres a não tecer juízos de valor, nem que seja durante alguns momentos do teu dia, de modo a que esta prática se interiorize e se torne consciente e possa tornar-se constante.

Que tal te parece? Vamos colocar a Lei em prática?

Eu irei dando conta da minha experiência aqui no blogue…Espero que a partilhes comigo também, seja por comentários aqui no blogue ou pelo e-mail:

madaboutdreams@gmail.com

«Às vezes é preciso deixar ir…»

garota-com-balao_1294_1280x1024.jpgChegados a este momento do ano damos por nós a fazer balanços de vida e a pensar no que correu bem e no que poderíamos simplesmente deixar para trás. Como pessoa interessada que sou pelo Feng shui, corrente de pensamento oriental que sustenta o equilíbrio e a harmonização das energias nos espaços, acredito que de vez em quando é preciso fazer uma limpeza a fundo nas nossas gavetas mentais, no nosso estado emocional e verificar o que está a mais, fazer uma triagem do que já não nos faz falta, para libertar e renovar a energia dos espaços e dos ambientes internos.

A proposta que te faço hoje é que faças comigo este exercício, para poderes eliminar todos os resíduos que estão a empoeirar o teu fluxo energético. Podemos chamar-lhe quase uma meditação, um diálogo interior que poderás ter contigo mesmo, pois só tu saberás o destino a dar ao que te incomoda e ao que está a travar o teu desenvolvimento.

Fecha os olhos, respira fundo, bem fundo para poderes entrar em sintonia contigo mesmo e imagina que tens um balão vermelho na mão, onde vais colocar tudo o que sentes que já não está em harmonia contigo e te desequilibrou ao longo deste último ano.

Nele poderás colocar:

– Todas as falsas ilusões e expetativas goradas em que acreditaste e verificaste que só te puxaram para baixo e fizeram ruir os castelos de areia que construíste, sem os devidos alicerces na sua base, que lhe dessem consistência.

– As lágrimas que verteste em vão por quem nunca te mereceu ou valorizou.

— Os julgamentos errados que fizeste dos outros e dos seus modos de vida, apenas por serem diferentes dos teus.

– A inveja, a ganância pelos bens materiais, que te obrigaram a trabalhar horas a mais, pela desmedida competição com os teus pares, privando-te de passares mais tempo com a tua família, fazendo de ti um escravo do consumo e do que podes ter.

– O apego em relacionamentos sofríveis e instáveis, gastos e consumidos pelo ciúme, pela perseguição, pela morbidez do controlo emocional, em que te abandonas e esqueces de quem és.

– Os falsos amigos que já não fazem sentido na tua vida, que te enganaram, te mentiram, fingindo ser alguém que não reconheces, nem sabes quem é. Se não te acrescenta valor, para quê manter?

– Os sugadores de energia que te vomitam a sua vitimização e os seus problemas inundados em ego, que são sempre mais importantes que os teus, e não te deixam partilhar quem és, no que acreditas, e o que te realiza.

– Todos os relacionamentos tóxicos, de dependência física e emocional, descartáveis, que te anulam como pessoa e te impedem de crescer e de encontrares alguém que te complete e acrescente.

-Os sonhos que do nada se transformaram em pesadelo, as agonias, os desgostos, as saudades, as tristezas, a melancolia dos dias carregados, a solidão, o desânimo e a falta de inspiração para fazeres mais e melhor.

– Os padrões de comportamento antigos que teimas em repetir vezes e vezes sem conta, arrastando-te para os mesmos resultados, as mesmas frustrações, erros e consequências de sempre.

– As crenças que te limitam e que te dizem coisas que não és, nem acreditas verdadeiramente, impedindo-te  que reveles a determinação e confiança  necessária para poderes chegar mais longe e sentir orgulho de quem és.

Coloca neste balão todos os maus pensamentos e liberta-te deles. Depois larga o cordel que prende o balão e seguras na tua mão e deixa-o ir, vê-o a voar bem alto, cada vez a uma distância maior, cada vez mais longe de ti, e sente-te leve, como se toda a tua pesada carga negativa que transportavas às costas se fosse afastando aos poucos de ti…dando lugar a um céu mais azul, com um brilhante arco-íris que te faz de novo acreditar que sim, tu és capaz!

Experimenta soltar o balão, pois às vezes a única solução que tens, é mesmo deixá-lo ir!

Silêncio

meditacao1.jpgNum mundo inundado de excesso de palavras, de ruído e de informação, precisamos de vez em quando desligar o botão, parar por uns instantes, calar o que nos atormenta a mente, para não nos deixarmos guiar apenas pelo sabor do vento ou pela correnteza da maré, sem orientação, nem direção.

Hoje foi um desses dias, em que o silêncio preencheu o dia com significado, num retiro da Brahama Kumaris, onde costumo ir, sempre que preciso de alimentar a alma e reabastecê-la de energia. Só o espaço da sede, desta organização sem fins lucrativos, localizado na Ajuda, pela sua beleza e tranquilidade é já um bálsamo reconfortante, convidando à meditação, ao silêncio e à introspeção.

Com base neste retiro, o convite que te faço é que tires se não um dia, nem uma tarde, pelo menos uma hora da tua vida para experimentares sobre o que te falo.

Desliga a TV, o telemóvel e o telefone, corta as ligações com as redes sociais e os e-mails, isola-te num espaço da tua casa onde te sintas confortável, coloca uma música relaxante,  acende uma vela ou um incenso e fecha os olhos.

Respira pausadamente. Sente o ar que te entra pelas narinas e que te preenche o interior. Esvazia-te de todas as preocupações, todo o stress causado pelo exterior, fixa-te apenas no aqui e no agora, e deixa-te desconectar do que te cerca. Com a respiração cada vez mais calma e profunda, prepara-te para viajar para um espaço só teu e encontra-te com quem tu és, com a tua essência. Saúda-te e pergunta-te por uns instantes: «Quem sou eu?» Estou certa que encontrarás rapidamente não só as tuas respostas, mas também as tuas virtudes, aquelas que insistes em esconder dos outros e de ti mesmo. Aproveita esse encontro contigo próprio para te perguntar ainda como te sentes, se achas que existe alguma coisa que te incomoda e te apetece resolver, se há algo que está a mais na tua vida.

Concentrado dentro de ti próprio, repousas a alma e sentir-te-ás banhado por uma paz interior, por uma luz que te preencherá, revigorando-te o ânimo e o corpo quando voltares de novo à tua consciência exterior.

Este silêncio traduzido deste modo é uma conexão profunda contigo, mas pode ser feito de diversas formas, numa caminhada na natureza ou na praia, na leitura de um livro, num processo de escrita. O que interessa é que pares por uns instantes, respires ao teu próprio ritmo, silencies todos os pensamentos negativos, repetitivos e agonizantes, e caminhes em direção ao teu autoconhecimento, o que te permitirá abrir imensas portas no teu processo de vida individual.

Pergunta-te a ti próprio:

– Quem realmente sou?

– Qual o meu propósito de vida?

– Que imagem de mim quero deixar nos outros quando eu partir desta vida?

Sinto que vais adorar a experiência! Inspira-te e deixa-te silenciar.

Informações úteis:

Brahama Kumaris – R. Guarda-Jóias 52, 1300 Lisboa

http://www.brahmakumaris.org/portugal/index_html?set_language=pt-pt